Arquivo | Solidão RSS feed for this section

Pais e Filhos

8 maio

Estátuas e cofres e paredes pintadas

Ninguem sabe o que aconteceu

Ela se jogou da janela do quinto andar

Nada é fácil de entender

Dorme agora e só o vento lá fora

Quero colo

Vou fugir de casa

Posso dormir aqui com vocês

Estou com medo

Tive um pesadelo

Só vou voltar depois das tres

Meu filho vai ter nome de santo

Quero o nome mais bonito

É preciso amar as pessoas

Como se não houvesse amanhã

Porque se a gente parar pra pensar

Na verdade não há

Me diz por que que o céu é azul

Me explica a grande fúria do mundo

São meus filhos que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe

Mas meu pai vem me visitar

Eu moro na rua

Não tenho ninguem

Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa

Que nem lembro mais

Eu moro com meus pais

É preciso amar as pessoas

Como se não houvesse amanhã

Por que se parar pra pensar

Na verdade não há

Sou uma gota d’agua

Sou um grão de areia

Você me diz que seus pais não entendem

Mas você não entende seus pais

Você culpa seus pais por tudo

Isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser

Quando você crescer

Legião urbana

Anúncios

Catedral

5 maio

No deserto que atravessei

Ninguem me viu passar

Estranha e só, nem pude ver

Que o céu é maior

Tentei dizer mas vi voce

Tão longe de chegar

Mais perto de algum lugar

É deserto onde eu te encontrei

Voce me viu passar

Correndo só, nem pude ver

Que o tempo é maior

Olhei pra mim, me vi assim

Tão perto de chegar

Onde voce não está

No silêncio uma catedral

Um templo em mim

Onde eu possa ser imortal

Mas vai existir eu sei

Vai ter que existir

Vai resistir o nosso lugar

Solidão, quem pode evitar

Te encontro enfim

Meu coração é secular

Sonha e desagua dentro de mim

Amanha, devagar

Me diz como voltar

Se eu disser que foi por amor

Não vou mentir pra mim

Se eu disser " Deixa pra depois"

"Não foi sempre assim"

Tentei dizer mas vi voce

Tão longe de chegar

Mais perto de algum lugar

 

Zélia Duncan